Diretrizes para Habilitação de Centros de Treinamento
Comissão
| Coordenador Dr. José Armando Mangione – SP |
Membros:
Dr. Alcides José Zago – RS
Dr. Fausto Feres – SP
Dr. Jamil Abdalla Saad – MG
Dr. Marco Antonio Perin – SP
Dr. Miguel Antonio Neves Rati – RJ
Dr. Wilson Pimentel Filho – SP
Itens Avaliados (Requerimentos Básicos)
I – Hospital
II – Laboratório de Hemodinâmica
III – Equipe Médica
IV – Aluno
V – Programa Teórico/Prático
VI – Aprovação e Fiscalização do Centro
I – Hospital
- Estar cadastrado na SBHCI
- Serviço de Cirurgia Cardiovascular Atuante
- Unidade de Terapia Intensiva e Coronária
- Laboratório de Análises Clínicas, Banco de Sangue, Serviço de Imagem (Radiologia, Ecodopplercardiografia transtorácica ou transesofágica, Ultra-sonografia com Doppler, Tomografia Computadorizada, Ressonância Magnética, Endoscopia)
- Serviço de Hemodiálise
- Especialidades Clínicas – Cardiologia, Nefrologia, Neurologia, Gastroenterologia, Hematologia, Anestesiologia
- Balão de Contrapulsação Intra-Aórtico
II – Laboratório de Hemodinâmica
Equipamento de Cateterismo Cardiovascular com as seguintes especificações técnicas:
- Sistema em arco, preferencialmente com proteção contra colisão do corpo do paciente, que interrompa o movimento com a aproximação do contato físico entre as partes
- Arquitetura que permita a realizações de projeções craniais/caudais de 40° e oblíquas de 90° de angulação.
- Velocidade de rotação do arco deve ser preferencialmente de no mínimo 25°/seg.
- Mesa de exames com a capacidade de suportar no mínimo pacientes com 160 Kg mais 100 Kg para manobras de ressuscitação o que garante segurança em situações de emergência.
- Gerador de Rx de alta tensão com potência mínima de 100 KW e proporcionar ao tubo de Rx uma emissão de radiação rápida e de potência suficiente para obtenção de contraste na imagem, permitindo nesta condição a operação dentro dos limites de segurança de radiação para o paciente e operador.
- Tubo de Rx com capacidade térmica mínima de 1.700.000 HU.
- Fluoroscopia pulsada com taxas de pelo menos 30/15 e 7,5 pulsos por segundo.
- Intensificador de imagem com o maior “fator conversor” possível ou sistema “Flat Panel”.
- Videocâmara de alta resolução responsável pela qualidade das imagens de fluoroscopia e que promove a transformação do sinal análogo para o sistema de angiografia digital.
- Imagem digital de alta qualidade com matriz de no mínimo 512x512x8 bites a 30 quadros/seg.
- Gravação do exame em compact disc (CD) em padrão DICOM
- Polígrafo com no mínimo 3 canais de ECG 3 e 2 canais de pressão com possibilidade de registro simultâneo.
- Monitor de Pressão Invasiva de 2 canais 1 por sala
- Bomba injetora de contraste de alta precisão.
- Aparelho de coagulação por TCA.
- Oxímetro de pulso.
- Equipamento para cálculo do débito cardíaco.
- Material para reanimação cardiorespiratória e desfibrilador externo.
- Marcapasso temporário.
- Ultrasom Intracoronário (recomendável).
- Controle Mensal da Exposição ao Rx através de dosímetros
- Aventais Plumbíferos
- Registro de todos os casos preferencialmente de forma digital por um período mínimo de 5 anos para recuperação de dados
- Cateteres e dispositivos acessórios mais comuns para a prática exclusiva e indispensável da especialidade
- Um enfermeiro responsável pertencente ao Departamento de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista da SBHCI.
- Um técnico em radiologia ou tecnólogo credenciado pelo CONTER – Conselho Técnico de Radiologia
III – Equipe Médica
- Possuir no mínimo 2 preceptores, membros titulares da SBHCI há pelo menos 5 anos, com certificado de área de atuação em hemodinâmica. Comprovar a manutenção da proficiência através da CENIC – mínimo de 75 Intervenções Cardiovasculares/ano, nos últimos 2 anos.
- O coordenador do programa deverá ser um dos preceptores que será o responsável junto a SBHCI pela observância desta recomendações.
- Realizar pelo menos 2.000 cateterismos cardíacos diagnósticos anuais (8,3/dias úteis), comprovados por declaração assinada pelo chefe do serviço, referentes aos dois últimos anos de atividade.
- Realizar intervenções coronárias, valvares, congênitas e vasculares (opcional), sendo no mínimo 400 ICP/ano (1,6/dia).
- Enviar para a CENIC o registro de todos os casos de Intervenções Cardiovasculares realizados anualmente.
- Seguir o programa teórico/prático recomendado nesta diretriz.
- O número de vagas disponibilizadas por equipe/ano deve obedecer os seguintes limites: um aluno para cada preceptor e para cada 250 procedimentos intervencionistas percutâneos realizados no ano anterior, registrados no CENIC.
IV – Aluno
- Inscrição no respectivo CRM
- Conclusão de 2 anos de residência médica em cardiologia credenciada pela Comissão Nacional de Residência Médica ou estágio em cardiologia reconhecido pelo FUNCOR ou título de especialista em cardiologia pela AMB/SBC
- Durante o período de formação, o aluno deverá permanecer em tempo integral no Centro de Treinamento.
V – Programa Teórico/Prático
- O período mínimo de treinamento é de 24 meses consecutivos, observando-se 30 dias anuais para férias, aprimoramento científico, participações em congressos e encontros da especialidade.
- O programa de treinamento deverá propiciar ao aluno formação completa com domínio de técnicas e conhecimentos relativos à intervenção cardiovascular. O primeiro ano deverá oferecer treinamento fundamentalmente em noções básicas e procedimentos percutâneos diagnósticos. O segundo ano deverá incluir o treinamento em procedimentos percutâneos terapêuticos.
- A participação direta do aluno, sob supervisão do preceptor, em cateterismos cardíacos, vasculares diagnósticos e intervenções percutâneas que deverão ser devidamente registradas no CENIC.
- Durante o período de treinamento recomenda-se que o aluno atue como primeiro operador sob supervisão de:
- 500 cateterismos cardíacos e angiográficos diagnósticos.
- 75 intervenções cardiovasculares percutâneas (incluindo coronárias, vasculares extracardíacas, congênitas e valvares)
- Aulas Teóricas
- Estrutura do laboratório de Hemodinâmica e características do equipamento de angiografia.
- Noções básicas de radiação ionizante, formação de imagem e proteção radiológica.
- Acessos vasculares – anatomia vascular, técnicas de acesso arterial e venoso em múltiplos sítios (radial, braquial, femoral), reconhecimento e tratamento de complicações do acesso vascular
- Principais materiais utilizados nos procedimentos diagnósticos e intervencionistas cardiovasculares.
- Contrastes radiológicos – tipos, dose e complicações. Prevenção e tratamento de reações alérgicas e de nefrotoxicidade.
- Registro de pressão: avaliação crítica da qualidade dos registros e seu funcionamento, análise das curvas de pressão.
- Medida do débito cardíaco e oximetria. Análise da função ventricular esquerda.
- Cálculo de shunt, resistências vasculares e área valvar.
- Anatomia radiológica cardíaca, coronária e vascular. Projeções angiográficas para procedimentos cardiovasculares.
- Princípios da angiografia digital quantitativa e Interpretação de imagens.
- Indicações, contra-indicações e complicações do cateterismo cardíaco e da angiografia cardiovascular diagnóstica.
- Estudo hemodinâmico nas valvopatias.
- Estudo hemodinâmico nas cardiopatias congênitas
- Estudo hemodinâmico nas cardiopatias congênitas cianogênicas.
- Estudo hemodinâmico nas miocardiopatias, doenças do pericárdio e da aorta.
- Fisiologia e fisiopatologia do fluxo coronário – métodos de avaliação e interpretação de resultados (Doppler-flow e Pressure-wire).
- Ultra-som intracoronário – técnica de execução e interpretação de imagens.
- Farmacologia adjunta às intervenções cardiovasculares.
- Indicações, contra-indicações, técnica e resultados dos diversos procedimentos terapêuticos em intervenção cardiovascular e congênita, incluindo:
- Angioplastia e implante de stent coronário e vascular
- Utilização de dispositivos de proteção distal
- Valvopatias
- Alcoolização e embolização de artérias coronárias
- Retirada de corpos estranhos intra-vasculares
- Atrioseptostomia
- Angioplastia das artérias pulmonares e outras artérias e veias
- Aortoplastia e endopróteses aórticas
- Radiofreqüência nas atresias valvares
- Técnicas de oclusão: embolização, dispositivos de oclusão de defeitos cardíacos
- Análise crítica dos principais estudos em intervenção cardiovascular publicados na literatura e apresentados em congressos
VI – Aprovação e Fiscalização do Centro
- O Conselho Deliberativo da SBHCI será o responsável pela avaliação dos centros e verificação do cumprimento da diretrizes para o credenciamento.
- A cada 2 anos, o centro deverá ter uma reavaliação para renovação do seu credenciamento realizada pelo Conselho Deliberativo. Os centros que descumprirem as normas estarão sujeitos a perda da sua habilitação. O comunicado será feito por escrito ao coordenador do programa. Os centros terão 90 dias para solicitarem uma nova avaliação, após a devida correção. Mediante a evidência de ajustes apenas parciais da anormalidades observadas, um novo período de 45 dias será concedido. A persistência das incorreções implicará na perda da habilitação do centro.






