Reestenose difusa e severa de 2 stents em overlap implantados em óstio de coronária direita tratada com stent farmacológico em IAM s/ supra de segmento ST

Autor(es): Otavio Eboli e Ciro Jones Cardoso

Instituição: Centro de intervenção cardíaca e neurovascular - Hospital São Luiz Itaim

Histórico Clínico: Paciente de 80 anos, hipertensa, dislipêmica, com histórico familiar de ICo, submetida há 8 meses a implante de 2 stents em “overlap” em óstio calcificado e terço proximal de coronária direita. Evoluiu com reinstalação dos sintomas e cintilografia sugestiva de isquemia ínfero-lateral extensa. Submetida a reestudo, evidenciou-se reestenose intra-stent difusa e sub-oclusiva desde o óstio da coronária direita. Fluxo distal TIMI 2. As demais artérias estavam isentas de obstrução significativa. Ventrículo esquerdo com hipocinesia discreta inferior.

Angiografia: Após duas semanas aguardando a liberação por parte do convênio do tratamento indicado (redilatação e implante de stent farmacológico), a paciente se instabilizou, dando entrada no PS do serviço co quadro de IAM s/ supra de ST com CKmb de 70 (normal até 30) e angina pós-IAM. Foi reestudada, sendo constatado que a artéria permanecia aberta, com lesão sub-oclusiva e fluxo distal TIMI 2.

Procedimento: Posicionamento de cateter-guia AR 2 6fr. Pré dilatação com cateter-balão Aqua 2.25 x 20 mm a 14 atm. Implante de stent Taxus Libertè 3.5 x 16 mm a 17 atm.

Resultados e Conclusões: O resultado angiográfico foi satisfatório, sem sinais de lesão residual ou dissecção, e o fluxo distal foi normalizado (TIMI 3). Apesar da dificuldade inicial no posicionamento do cateter-guia, uma vez que isto foi obtido, o procedimento transcorreu sem outros retardos. Atenção especial foi dedicada ao posicionamento e liberação do stent, cobrindo toda a extensão dos stents previamente implantados.

A hiperinsuflação foi deliberadamente não-realizada no sentido de evitar o excessivo contato entre as hastes dos stents antigos e o novo, para que não houvesse perda de integridade do polímero na nova endoprótese. Hove remissão total dos sintomas. Recebeu alta após 3 dias.

Comentários: Embora as evidências atuais apontem para cautela ao implantar stents liberadores de medicamentos em situação de infarto agudo do miocárdio, a intensa reestenose ocorrida nos stents previamente implantados em atéria de grande calibre (>3.5 mm) nos motivou a manter a indicação anterior à instabilização. Reforçou tal postura a ausência de imagens sugestivas de trombos e o fato de a paciente ter retornado ao uso contínuo do clopidogrel há dois meses do procedimento descrito.

Potenciais Conflitos de Interesse: Não há.

Figura 1

Figura 2

Figura 3

Figura 4