Artéria lusória associada a divertículo de Kommerell em paciente no pós-operatório tardio de troca de valva mitral

Autor(es): Gustavo Ithamar Souto Maior

Instituição: Instituto de Neurocardiologia Wilson Rosado - Mossoró/RN

Histórico Clínico: Paciente do sexo feminino, de 42 anos, com antecedentes de troca de valva mitral biológica há 21 anos, com queixas de dor torácica atípica e dispnéia aos moderados esforços. Ao ecocardiograma: Prótese biológica mitral normofuncionante com área valvar estimada em 1,9 cm2 + presença de contraste espontâneo em aorta descendente torácica e alteração da contração segmentar em paredes anterior e lateral (FEVE de 50%).

 Figura 1  Figura 2 Figura 3 Figura 4 
Figura 5 Figura 6 Figura 7 Figura 8

Angiografia: Realizado conorariografia direita e esquerda, ventriculografia e aortografia torácica, pela técnica de seldinger, com cateteres JR, JL e pigtail 5F. Realizado ainda cateterismo cardíaco direito com cateter Lehman 7F.

Resultados e Conclusões: Coronárias sem lesões obstrutivas, exceto pela artéria circunflexa que apresentava lesão ostial angiograficamente avaliada em 50%. Ventriculografia esquerda: hipocinesia antero-lateral moderada aortografia torácica: aorta ascendente discretamente ectasiada, à esquerda (cruzando o brônquio fonte esquerdo), com os seguintes troncos supra-aórticos, da direita para a esqueda: artéria carótida comum direita, artéria carótida comum esquerda, artéria subclávia esquerda (ASE) e artéria subclávia direita (ASD), com sua porção inicial ectasiada (divertículo de Kommerell). Pressões normais em câmaras direitas e artéria pulmonar.

Comentários: A ASD aberrante ou artéria lusória refere-se à situação na qual a ASD emerge do arco aórtico após a ASE. A dilatação proximal da ASD aberrante é denominada de divertículo ou aneurisma de Kommerell e pode determinar sintomas relacionados à compressão das estruturas circunvizinhas. O sintoma mais comum é a disfagia (disfagia lusória). Pode também determinar dispnéia (dispnéia lusória) e tosse crônica pela compressão da traquéia. Mesmo em pacientes assintomáticos a presença do divertículo de Kommerell é uma indicação de reparo seja cirúrgico ou híbrido (oclusão do divertículo com um plug de Amplatzer ou plug ilíaco zenith associado ao bypass da carótida para a subclávia) pelo risco de ruptura. Uma suspeição clínica elevada, uma angiografia bem feita do arco aótico e o conhecimento das suas anomalias mais comuns, são essenciais ao diagnóstico desta condição clínica tão relevante e certamente subdiagnosticada.

Potenciais Conflitos de Interesse: Não há conflito de interesses.