Ablação simpática renal por radiofrequência com catéter para tratamento de hipertensão arterial refratária
Autor(es): Marco Wainstein, Leandro Zimerman, Rodrigo Wainstein
Instituição: Hospital de Clínicas de Porto Alegre
Paciente feminina de 64 anos em acompanhamento no ambulatorial no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Histórico de hipertensão arterial sistêmica refratária ao tratamento clínico com mais de 3 anti-hipertensivos em dose plena. Medições ambulatoriais revelavam níveis tensionais elevados com pressão sistólica maior que 200mmHg e pressão diastólica maior que 100mmHg. MAPA pré-procedimento mostrou uma pressão arterial media de 170/110mmHg.
Investigação extensa pré-procedimento excluiu causas secundárias de hipertensão arterial. Paciente com ótima adesão ao tratamento medicamentoso.
Medicações em uso: espironolactona 100mg BID, propranolol 120mg TID, anlodipina 10mg QD, enalapril 20mg BID, sinvastatina 20mg QD, AAS 100mg QD, clortalidona 50mg QD, minoxidil 30mg BID, clonidina 300mg TID, hidralazina 50mg TID
Procedimento: A artéria femoral direita foi canulada com bainha 7Fr de 45cm. Catéter Pigtail-6Fr foi utilizado para realização de aortografia que demonstrou artérias renais isentas de lesões significativas ( figura 1). Um catéter de ablação por radiofrequência foi colocado inicialmente na artéria renal direita. Iniciada ablação por radiofrequência no segmento distal da artéria renal direita com 6 a 8 watts de potência durante 120 segundos (Figura 2). O catéter foi tracionado e rotado levemente, sendo aplicada a radiofrequência em 4 pontos distintos do vaso. O mesmo processo foi realizado na artéria renal esquerda ( Figura 3). Aortografia de controle demonstrou ausência de complicacões imediatas ( Figura 4).
Discussão:
Até onde sabemos este foi o primeiro procedimento de ablação simpática renal por radiofreqüência realizado no Brasil. Este procedimento fará parte de um ensaio clínico randomizado controlado por placebo conduzido no Hospital de Clínicas de Porto Alegre. O racional teórico para realização deste ensaio clínico provém de estudos prévios que mostraram que os nervos simpáticos renais aferentes e eferentes localizados na parede da artéria renal são cruciais para o início e manutenção dos níveis tensionais elevados. A partir disso, surgiu o conceito de que a modulação da atividade simpática renal pode contribuir significativamente para o controle da hipertensão. Diversos tipos de intervenções invasivas com o intuito de realizar denervação simpática já foram testados com resultados satisfatórios no controle da pressão arterial. No entanto, estas intervenções se caracterizavam por serem excessivamente agressivas e ocasionarem elevada morbi-mortalidade pós-operatória e complicações tardias.
Nesse contexto, surgiu um novo tipo de tratamento invasivo consideravelmente menos agressivo do que as cirurgias de denervação simpática realizadas no passado. Trata-se de uma intervenção percutânea que baseia-se na aplicação de radiofreqüência na camada adventícia da artéria renal através de um cateter. Esta técnica foi testada pela primeira vez em humanos em um estudo publicado recentemente que demonstrou sucesso na denervação renal, resultando em diminuição da atividade simpática e liberação de renina. Além disso, este estudo demonstrou que a técnica é segura e eficaz, pois nenhuma complicação relevante foi identificada e os níveis tensionais foram reduzidos de forma significativa. Subseqüentemente, o ensaio clínico controlado por placebo Simplicity 2 testou a mesma técnica com resultados muito convincentes em pacientes com hipertensão refratária. Este ensaio clínico incluiu 106 pacientes randomizados para grupo controle e intervenção e mostrou uma redução de 32mmHg na pressão sistólica e 12mmHg na pressão diastólica em 6 meses no grupo submetido a denervação percutânea, sendo que o grupo controle não teve alteração significativa dos níveis tensionais (p<0.0001).










