Cateterismo cardíaco precoce pós-parada cardíaca

Título do artigo original: Comparison of role of early (less than 6h) to later (more than 6h) or no cardiac catheterization after resuscitation from out-of-hospital cardiac arrest

Referência: Am J Cardiol 2012; 109: 451-454

Autor do artigo original: J Stroute, C Maynard, F Kim et al

Co-autores:

Fundamentos: Apesar das diretrizes atuais recomendarem cateterismo cardíaco urgente em pacientes que sobrevivem a uma parada cardíaca fora do hospital, a eficácia desta estratégia ainda não foi estudada adequadamente.

Métodos: Estudo observacional retrospectivo que incluiu 240 pacientes com história de parada cardíaca fora do hospital e manobras de ressucitação cardiopulmonar com sucesso. Os pacientes foram subdividos em dois grupos: 1) cateterismo cardíaco precoce (<6h pós-parada) e 2) tardio (>6h pós-parada).

Resultados: Cerca de 25% dos pacientes foi incluído no grupo de cateterismo precoce e 75% no grupo de cateterismo tardio. Sobrevida foi significativamente maior no grupo submetido a cateterismo precoce (72% vs 49%, p=0.001). Intervenção percutânea foi realizada em 62% dos pacientes no grupo de cateterismo precoce e somente em 7% no outro grupo. Não houve diferença quanto a desfechos neurológicos em ambos os grupos. O grupo de cateterismo precoce apresentou significativamente mais sintomas e presença de elevação do segmento ST antes da parada cardíaca.

Conclusão: Cateterismo precoce (<6h pós-parada cardíaca) está associado a melhora de sobrevida nesta coorte de pacientes.
Ponto de vista: Estudo demonstra a importância da realização de cateterismo cardíaco precoce em pacientes que sobrevivem a uma parada cardiorrespiratória fora do hospital. Sabe-se que cerca de 80% das paradas cardíacas fora do hospital estão associdas a doença coronariana significativa. Além disso, alterações eletrocardiográficas e de marcadores de necrose miocárdica são de difícil interpretação neste contexto, de modo que investigação invasiva pode estar ainda mais indicada.