Associação entre a utilização de inibidores da bomba de prótons sobre os desfechos cardiovasculares com clopidogrel e ticagrelor.

Título do artigo original: Association of Proton Pump Inhibitor Use on Cardiovascular Outcomes With Clopidogrel and Ticagrelor. Insights From the Platelet Inhibition and Patient Outcomes Trial

Referência: Circulation. 2012; 125: 978-986.

Autor do artigo original: Shaun G. Goodman, MD, MSc.

Co-autores: Robert Clare, MS; Karen S. Pieper, MS; José C. Nicolau, MD; Robert F. Storey, MD; Warren J. Cantor, MD; Kenneth W. Mahaffey, MD; Dominick J. Angiolillo, MD, PhD; Steen Husted, MD; Christopher P. Cannon, MD; Stefan K. James, MD, PhD; Jan Kilhamn, MD, PhD; P. Gabriel Steg, MD; Robert A. Harrington, MD; Lars Wallentin, MD, PhD.

 Fundamento – O significado clínico da interação entre o clopidogrel e os inibidores da bomba de prótons (IBP) permanece obscuro.

Métodos e Resultados – Examinamos a relação entre a utilização de IBP e os eventos cardiovasculares em 1 ano(morte cardiovascular, infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral) em pacientes com síndrome coronária aguda randomizados para clopidogrel ou ticagrelor em uma análise de subgrupo pré-especificado, não-randomizado, do estudo PLATO. Os end-points primários foram maiores para os indivíduos em uso de IBPI (n = 6.539) em comparação com aqueles que não estão em uso de IBP (n = 12 060) tanto para o grupo do clopidogrel (13,0% versus 10,9%; razão de risco ajustada [HR], 1,20, 95% intervalo de confiança [IC], 1,04-1,38) quanto para o grupo do ticagrelor (11,0% versus 9,2%; HR, 1,24; 95% CI, 1,07-1,45). Pacientes em uso de drogas gastrointestinais não-IBP tiveram taxas semelhantes de end-points primários em comparação com aqueles em uso de IBP (tratamento gastrointestinal com IBP versus não- IBP: clopidogrel, HR, 0,98; 95% CI, 0,79-1,23; ticagrelor, HR, 0,89, 95% CI, 0,73-1,10). Em contraste, pacientes sem terapia gástrica  tiveram uma taxa significativamente menor de end-points primários (IBP versus nenhum tratamento gastrointestinal: clopidogrel, HR, 1,29; 95% CI, 1,12-1,49; ticagrelor, HR, 1,30; 95% CI, 1,14-1,49 ).

Conclusões – O uso de IBP foi independentemente associado com uma maior taxa de eventos cardiovasculares em pacientes com síndrome coronariana aguda que receberam clopidogrel. No entanto, uma associação semelhante foi observada entre os eventos cardiovasculares e uso de IBP durante o tratamento com ticagrelor e com outras drogas gastrointestinais não-IBP. Portanto, no estudo PLATO, a associação entre o uso de IBP e eventos adversos pode ser devido a fatores de confusão, com o uso de IBP sendo mais um marcador do que uma causa de maiores taxas de eventos cardiovasculares.

Comentários –  Apesar das limitações desse estudo, baseado em uma análise não randomizada de um sub-grupo do estudo PLATO, ele sugere que o uso de IBP pode ser mais um marcador que uma causa de maiores eventos cardiovasculares. Foi observada uma maior taxa de eventos cardiovasculares nos pacientes em uso de IBP com clopidogrel, mas também com o uso do ticagrelor. Deste modo se a diminuição do efeito antiplaquetário do clopidogrel, devido à interferência no metobolismo pelo uso concomitante do IBP, é o mecanismo responsável pelo aumento nas taxas de eventos cardiovasculares, é difícil ,portanto, justificar a maior taxa de eventos também observada com o uso do ticagrelor. Além disso, uma maior taxa de eventos cardiovasculares também foi observada com o uso de outras drogas gastrointestinais não-IBP.