Abciximab na fase pré-hospitalar em pacientes com IAM com supradesnivelamento do segmento ST: resultados do estudo MISTRAL
Título do artigo original: Prehospital Abciximab in ST-Segment Elevation Myocardial Infarction Results of the Randomized, Double-Blind MISTRAL Study
Referência: Circulation: Cardiovascular Interventions. 2012; 5: 69-76
Autor do artigo original: Ohlmann P., Montalescot G., Morel O. e cols
Co-autores:
Fundamentos: O papel da administração dos inibidores da glicoproteína IIb/IIIa na fase pré-hospitalar em pacientes com SCACSSST permanece controverso. Os autores avaliaram se a administração de abciximab na fase pré-hospitalar (ambulância) em pacientes com IAM com supradesnivelamento do segmento ST poderiam melhorar a resolução da elevação do segmento ST(STR) após uma ICP primária.
Métodos e Resultados: O estudo MISTRAL (Myocardial Infarction with ST-elevation Treated by Primary Percutaneous Intervention Facilitated by Early Reopro Administration in Alsace) é um ensaio prospectivo, randomizado, duplo-cego que avaliou 256 pacientes com IAMCSSST randomizados para receber abciximab na ambulância(grupo pré-hospitalar, n=127) ou no laboratório de hemodinâmica(grupo hospitalar, n=129). O desfecho primário do estudo considerado foi a resolução completa do segmento ST(STR >70%) após ICP primária. Não houve diferença significativa entre os grupos em relação ao desfecho primário(antes da ICP 21,6% x 15,5%, p=0,28; após ICP 70,3% x 65,8%, p = 0,49) nos grupo abciximab pré e hospitalar respectivamente. Fluxo TIMI 2 ou 3 antes da ICP foi observada em 46,8% x 35%, p = 0,08, demonstrando uma tendência a melhores resultados no grupo abciximab pré-hospitalar. Quando analisado o fluxo após a ICP, não houve diferença entre os grupos (70,3% x 65,8%, p = 0,49). Houve uma tendência a menor ocorrência de “slow flow” no grupo abciximab pré-hospitalar(5,6% x 13,4%, p = 0,07), associado a menor incidência de embolização distal (8,1% x 21,1%, p = 0,008). A incidência de eventos cardíacos maiores após 1 e 6 meses foi baixa e similar entre os grupos.
Conclusões: A administração precoce de abciximab em pacientes com SCACSSST não melhorou a STR nem o fluxo distal, classificado pelo TIMI, após ICP primária. Entretanto, houve uma tendência a um melhor fluxo TIMI antes da ICP, com uma diminuição na embolização distal durante o procedimento. Estudos maiores são necessários para confirmar tais resultados.
Ponto de vista: Trata-se de ensaio interessante em que mais uma vez não foi observado melhora nos desfechos clínicos quando administramos um inibidor da glicoproteina IIb/IIIa na fase pré-hospitalar. Interessante também o fato de que em apenas 70% dos casos houve resolução do segmento ST, número próximo de ensaios prévios com a mesma população, o que mostra que muito ainda precisa ser feito para alcançarmos melhores resultados. Principalmente se considerarmos que tais pacientes foram tratados com um tempo dor-balão menor que 3 horas. Tais achados apenas salientam a importância da conscientização da população da importância de um diagnóstico precoce do IAM, bem como da elaboração de medidas visando a implantação de uma rede integrada de serviços de hemodinâmica, visando a rápida abordagem e tratamento do paciente com dor torácica. Nào podia deixar de mencionar a ausência de um grupo controle, para avaliar tal estratégia, considerando os riscos de sangramento e suas implicações prognósticas.






